quinta-feira, 18 de julho de 2019

Fortificado seja vosso poema

Casamata:
fortificação baixa, às vezes parcialmente subterrânea e com a parte superior abobadada, onde se instalam metralhadoras, armas anticarro etc., ger. feita de concreto, de aço ou se simples sacos de areia enfileirados.

Essa é a definição de Casamata retirada do dicionário. Mas longe formalidades, o livro Na Casamata de Si, de Pedro Tostes, os impactos são constantes.



Conheci Pedro em minha brevíssima passagem por São Paulo, em fevereiro desse ano, onde lançava meu livro com poesias de guerra. Pedro, um verdadeiro andarilho da literatura, montava sua banquinha com livros, bolsas ecológicas e camisetas. Logo de largada, meu olho se prendeu em uma camiseta com os seguintes dizeres:

- nenhum peito é belo
sem cicatrizes

Aqueles versos me emocionaram de formas que sou incapaz de descrever (minto, sou perfeitamente capaz, mas não quero misturar os assuntos). Não comprei a camiseta, primeiro porque não vi entre elas uma tamanho XXXXXGGGGGG3456 como seria necessário para o meu tamanho, mas também porque naquela noite o cofrinho não permitia.

De qualquer forma, as palavras ficaram guardadas. Levei meses para adicionar Pedro no Facebook, quando o fiz, imediatamente nos tornamos ótimos amigos, trocamos muitas ideias e, nessas, Pedro me enviou seu livro "Na Casamata de Si".

A imagem de capa, do soldado sentado em uma privada, me deu uma insegurança generalizada. Minha mãe ainda comentou "olha só, é um livro de guerra". Não que eu esperasse ser a primeira poeta a falar de guerra, longe de mim tal pretensão, mas de repente eu teria entre as primeiras resenhas da minha vida um livro com temática igual ao meu próprio livro.

Bom, não foi isso que aconteceu.
Falamos ambos de coisas desprezíveis, mas de foras tão diversas que eu diria que uma leitura dos dois livros em conjunto seria riquíssima.

Na Casamata de Si é o Pedro em forma de livro de poesias. Tem doçura, gentileza, ironia, graça e revolta. Muita revolta. A dosagem dos elementos é cirúrgica, inclusive na decisão de Pedro em dividir o livro em duas partes, sendo a segunda mais encaixada na temática de guerra, mas não necessariamente a guerra como estamos acostumados a conceber. Nem por isso menos guerra.

A frase citada no começo do post é do poema Estanca, e juro que gritei quando vi a os versos ali expostos. Primeira vez na vida que rabisquei um livro à caneta, mas precisei destacar o trecho, mostrar que é meu, que me adonei das palavras de Pedro e que, mesmo que eu sempre vá respeitar sua autoria, esses versos pertencem à minha alma, e tenho dito.

Mais adiante fui marcado como pude minhas favoritas - e se tivesse marcado todas, o livro estaria inteiro com dobras - destacando poemas como Preciso, Bestiário do Apocalipse e o genial Brazilian Dream, que brinca com o clássico Vou-me Embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira.

Mas no meio do caminho tinha Parabéns aos Envolvidos.
Esse poema não me deu o direito de cita-lo ou nem mesmo de transcrevê-lo. Ele merece mais, e, por isso, pela primeira vez nesse blog, eu o declamo.


Precisei, senti necessidade de declamar porque não acho que transcrever daria o tamanho da força com que fui atingida por esses versos.

Na Casamata de Si não me surpreendeu porque já imaginava que Pedro Tostes tinha qualidade, mas me deixou feliz ver a confirmação disso em uma publicação tão bonita. O livro é bonito. O livro é lindo. O livro é forte.

Não esquecerei dele tão cedo.
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Na Casamata de Si
Pedro Tostes

Patuá: São Paulo, 2018
88 páginas
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Pedro Tostes é poeta reincidente e insistente. Graduado Nos Rolês e PhD em Pilantropia Cultural, já tem um vasto histórico de cometimento de poesias com outras publicações subversivas, além de não estar realmente muito preocupado com flashes nem em virar subcelebridade virtual.

~Maya
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